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Marly de Oliveira

Marly de Oliveira

Marly de Oliveira poeta, professora e ensaísta, era capixaba de Cachoeiro do Itapemirim, nascida em 11 de junho de 1938, viveu e passou a infância e adolescência na cidade fluminense de Campos, onde muito cedo se iniciou na literatura, publicando poemas em jornais e revistas. Mudou-se depois para o Rio de Janeiro, onde diplomou-se em Letras Neo-Latinas pela Pontifica Universidade Católica. Recebeu bolsa de estudos para cursar História da Língua Italiana e Filologia Românica na Universidade de Roma. Ali conheceu o grande poeta Giuseppe Ungaretti, que havia lecionado por algum tempo na Universidade de São Paulo e que, ao ler uma breve coletânea de poemas escritos em italiano pela jovem estudante brasileira, decidiu entusiasmado apresentá-la pessoalmente em um programa literário da rádio-televisão local, referindo-se textualmente ao milagre de criação daqueles versos escritos por uma estrangeira em um italiano luminoso.

De volta ao Brasil, trabalha como assistente de Mário Camarinha na cadeira de Literatura Hispano-Americana na PUC/RJ e na PUC/Petrópolis. Entre 1962 e 1967 é professora de Língua, Literatura Italiana e Literatura Hispano-Americana na Faculdade das Dorotéias, em Friburgo RJ.

Casa-se com diplomata brasileiro Lauro Moreira e vive alguns anos em Buenos Aires, Genebra e Brasília. Na década de oitenta casa-se, pela segunda vez, com João Cabral de Melo Neto, com quem reside em Portugal e depois no Rio, até a morte deste, em outubro de 99. Em 1995, organizou a Obra Completa de João Cabral de Melo Neto, com Margaret George.

Sua obra poética abrange os livros Explicação de Narciso (1960), A Suave Pantera (1962), O Sangue na Veia (1967), Contato (1975), A Força da Paixão (1982) e O Mar de Permeio (1997), entre outros. A poesia de Marly de Oliveira filia-se à terceira geração do Modernismo. Para o poeta Mário Chamie (1933 – 2011), “o percurso de Marly, mágico e pendular, retoma sempre o princípio de tudo (‘o erro nunca está no fim: / no início é que é preciso / ir desfazendo o escuro’), anula a aridez das lembranças e conflitos pessoais (‘por mais que se ande, o caminho / leva sempre para trás’), até chegar à escrita revelada de uma poesia que submete o sofrimento da perda, a amargura do engano, a frieza da aridez ao ‘império da esperança’ e ao chamado do amor (…)”. Em 1º de junho de 2007, Marly de Oliveira falece em um hospital do Rio de Janeiro, após quase quatro meses de internação.