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Lygia Marina de Moraes

Lygia Marina de Moraes

Braga, contudo, deixava claro que tinha horror a barulho e a crianças, mas alguma coisa - talvez a mãe - fez com que confessasse a Lygia: "O único menino que eu gosto é o seu". E não escondia o desagrado com mulher pouco dotada da beleza: "Essa mulher é muito feia, Lygia, não chama para a mesa, não".

Professora de Literatura e começou a ler Rubem ainda adolescente. Em 1978 escreveu o Livro `Conheça o escritor brasileiro Rubem Braga`, a série da Lygia Marina Moraes tem por objetivo familiarizar o leitor com alguns dos mais importantes escritores da literatura brasileira. cada volume apresenta trechos representativos da obra de um autor, suas biografias e uma avaliação crítica de suas obras.

Lygia Marina de Moraes: a dona dos olhos que metiam medo em Tom Jobim.

A boca é carnuda, num leve sorriso, mostrando os dentes grandes. O cabelo é solto e despenteado e, na mão, ela segura um cigarro. Mas a arma da femme fatale está nos olhos: grandes, de ressaca, que tragam tudo, como Capitu. Tom Jobim trocou o verde pelo castanho, mas teria traduzido o olhar após cruzar com ele pela primeira vez numa tarde chuvosa no bar Veloso: “Mas teus olhos castanhos/Me metem mais medo que um dia de sol/É… Lígia Lígia”.

A foto ficou escondida por 19 anos, período em que a Lígia da música (na verdade, Lygia Marina de Moraes) esteve casada com o escritor Fernando Sabino, grande amigo de Rubem Braga, que morria de ciúmes dela, inclusive com Rubem. A fotografia, de 1971, foi feita por seu primeiro marido, o cineasta e diretor de programas nas TVs Tupi e Rio Fernando Amaral, com quem conheceu o mundo cultural carioca (ao término deste casamento Lygia conhecida de pessoas do teatro, literatura e música e era convidada para as pequenas festas no apartamento do Braga, na Barão da Torre), e é um retrato da Lygia que fulminou corações e foi eternizada como uma das musas de Tom, que idealizou em “Lígia” um amor que nunca aconteceu. “Eu nunca sonhei com você/Nunca fui ao cinema/Não gosto de samba, não vou a Ipanema/Não gosto de chuva nem gosto de sol”. é descrito no livro recém-lançado “Musas de músicas: a mulher por trás da canção” (Editora Tinta Negra), da jornalista Rosane Queiroz.

Um dia Tom chamou Lygia para irem até a casa de Clarice Lispector, no Leme, onde Tom terminaria de dar uma entrevista. Tom deixou de lembrança daquele dia um poema, escrito na casa de Clarice Lispector, que foi emoldurado por Lygia e leva a assinatura A.C.J. “Teus olhos verdes são maiores que o mar/Se um dia eu fosse tão forte quanto você/Eu te desprezaria e viveria no espaço/Ou talvez então eu te amasse/Ai que saudade me dá/Da vida que eu nunca tive”.— Quase morri! Como pode, na mesma noite, conhecer o Tom e ser apresentada a Clarice pelo Tom? — diz Lygia, recordando que Clarice não gostou nada da história e que, horas depois, ele deu uma carona até sua casa, em Botafogo, num Fusca azul.

Aos 68 anos, mãe do fotógrafo Luís Moraes (filho de Amaral) e avó de Sara e Lucas (de 2 e 4 anos), ela conserva, além da beleza, um ar brejeiro.

Foi Diretora de Casa de Cultura Laura Alvim em Ipanema de 2007 a 2015.